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Evolucionismo: O estado atual da questão

 

Por Antonio Pardo

O darwinismo apresenta-se como a única explicação válida para o fenômeno evolutivo. Com efeito, há pessoas que pensam que negar o darwinismo é negar a própria idéia de evolução. Mas as coisas não são bem assim. A teoria de Darwin (e as suas várias interpretações) não consegue interpretar satisfatoriamente os dados disponíveis sobre a Evolução. Por que então continua a ser tão defendida?

 

INTRODUÇÃO

É muito difícil dar uma visão de conjunto razoavelmente completa sobre a teoria da evolução, tendo em conta a complexidade das discussões sobre o assunto que hoje se encontram no mercado das idéias. Por isso, procurarei nesta exposição fazer apenas um elenco das idéias mais relevantes que servem de base para as teses evolucionistas atuais. Ao longo da explanação, tecerei algumas observações críticas quando forem necessárias e, no fim, apresentarei alguns dados que permitam vislumbrar possíveis encaminhamentos para uma explicação atualizada do fenômeno evolutivo.

1. IDÉIAS BÁSICAS

1.1. O que se entende por evolução?

Em primeiro lugar, é necessário um esclarecimento terminológico: muitos livros ou artigos sobre a evolução empregam os termos comuns nesse campo com significados diferentes; por isso devemos esclarecer qual o significado que daremos aqui a esses termos, a fim de evitar confusões.

Entendemos por evolução, de um modo genérico, a variação das espécies dos seres vivos.

Mais especificamente, podemos distinguir dois tipos de evolução: a macroevolução e a microevolução.

Por macroevolução, entende-se a aparição de novas espécies por geração a partir de outras distintas.

Por microevolução, entende-se a aparição de variações morfológicas dentro de uma mesma espécie, isto é: a aparição daquilo que podemos chamar de raças, de subespécies ou de variedades, que no entanto continuam a ser inequivocamente da mesma espécie.

 
Fóssil de mastodonte encontrado em 2000 no estado americano de Nova York

1.2. Houve evolução

Em segundo lugar, é preciso ressaltar que deve ser admitida a evolução das espécies (no sentido de macroevolução, que é o que habitualmente empregaremos nestas linhas), mesmo que não seja uma realidade observável diretamente: exige-o o cúmulo de averiguações feitas em múltiplas disciplinas, por uma necessidade de coerência lógica. Trata-se da única dedução possível diante da evidência de que existem fósseis de seres vivos hoje desaparecidos, bem como seres vivos dos quais não se encontram fósseis. Uma vez demonstrada definitivamente a impossibilidade da geração espontânea nas atuais circunstâncias do mundo, a única dedução válida é que em tempos pretéritos alguns seres de uma espécie geraram seres de outra espécie. É a isso que chamaremos de evolução.

Além da dedução a partir da evidência dos fósseis, existem

muitas outras evidências que apontam na mesma direção: todos os seres vivos têm uma constituição basicamente igual, são compostos deproteínas, açúcares, informação genética, membranas, sistemas respiratórios, etc. Todas essas coincidências, que são muitíssimas, sugerem uma origem comum e apóiam a idéia da evolução, ou seja, o aparecimento de novas espécies por geração.

1.3. Evolução não é igual a darwinismo

Outra fonte de confusões procede de se reduzir o processo evolutivo a uma das explicações que se dão acerca dele; concretamente, nesta época de predomínio quase absoluto da explicação darwinista, é comum confundir evolução com darwinismo. Uma coisa, porém, é que seres de uma espécie tenham no passado produzido seres de outra espécie; e outra bem diferente as várias explicações que se podem dar para esse fenômeno. O problema atual é a ausência quase absoluta de explicações alternativas à darwinista, e por isso as pessoas tendem a confundir o fenômeno evolutivo com essa sua explicação, que é quase a única oferecida no mercado das idéias.

 

 
O naturalista inglês Charles Robert Darwin (1809-1882) e uma caricatura sua publicada na revista inglesa The Hornet (“A vespa”), contemporânea ao cientista
 

Uma coisa, no entanto, é evidente: um fenômeno que se quer explicar é diferente da explicação científica que se constrói para explicá-lo. Outra questão é saber se essa explicação científica está ou não suficientemente comprovada; mas, independentemente de estar ou não comprovada, explicação e fenômeno explicado serão sempre coisas diferentes.

Por este motivo, é preciso manter uma clara separação conceitual entre os termos “evolução” e “darwinismo”. Conseqüentemente, aceitar o fenômeno evolutivo não implicará aceitar a explicação darwinista; nem criticar a explicação implicará negar o fenômeno evolutivo.

 
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