IV - A Igreja da renascença e da reforma (I)

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A agonia da Idade Média, a explosão do espírito humanístico, artistas e pensadores como Michelangelo, Leonardo da Vinci e Maquiavel... No meio desse ambiente tempestuoso não é de estranhar que surgissem revoltas religiosas e mudanças profundas lideradas por um Lutero, por um Calvino ou por um Henrique VIII.
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    IV - A Igreja da renascença e da reforma (I)

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    ÍNDICE

     

    I. Uma crise de autoridade: o cisma e os concílios

    O glorioso retorno

    Os últimos papas de Avinhão

    A missão de Santa Catarina de Sena

    Aparências de força e de prestígio

    O peso do mundo

    O Grande Cisma do Ocidente

    O Concilio contra o Papa: a tentativa de Constança

    Um pontificado movimentado: Eugênio IV

    “Non placet Spiritui Sancto”

     

    II. Uma crise de unidade: a cristandade desmembra-se e perde o oriente

    Um mundo morre, outro procura nascer

    Um século de caos

    A nostalgia da Cristandade

    A vocação de Joana d’Arc

    A maré turca ao assalto da Cristandade

    Derradeiras tentativas de união

    A morte de Bizâncio

    Os últimos sobressaltos

    A Rússia, herdeira de Bizâncio

    1453, data fatídica

     

    III. Uma crise do espírito: o abalo das bases cristãs

    A verdadeira crise está no homem

    Uma fé sempre viva

    Uma religião sem equilíbrio

    “O áspero sabor da vida”

    Baixa grave no clero

    A Igreja será reformada?

    A mística desenvolve-se, mas isola-se

    As rupturas da inteligência

    As primeiras heresias “protestantes”: Wiclef

    João Huss

    O “manto irisado” da arte

    Enfrentar o futuro

     

    IV. Os papas da renascença

    Renascença

    Um pontificado de transição: Nicolau V

    Alvorada de glória sobre a terra italiana

    Das “humanidades” ao “humanismo”

    Três papas, o humanismo e os turcos

    A era de Maquiavel

    O primeiro passo em falso: Sixto IV e Inocêncio VIII

    A tentação da carne: Alexandre VI

    O grito do santo furor: Savonarola

    O baluarte espanhol: a tomada de Granada

    A tentação da política: Júlio II

    A tentação da arte: Leão X

    Roma, capital das artes

    A outra face do esplendor

    As forças intactas: a angústia da reforma

     

    V. O drama de martinho lutero

    O caso das indulgências

    Um jovem religioso muito brilhante

    O drama de uma alma

    A Alemanha nos dias de Lutero

    Lutero contra Roma

    Worms, Wartburg, a Bíblia

    Possibilidades e riscos de uma revolução

    A guerra dos camponeses e o recurso aos príncipes

    Os “protestantes”

    Casamento e maturidade

    O luteranismo – a Confissão de Augsburgo

    Lutero contra o humanismo de Erasmo

    Reformas fora de Lutero: Zwinglio, Bucer, Ecofampádio

    Melanchthon em ação

    O luteranismo torna-se uma força política

    Novas dificuldades, novos dramas

    O fim de um profeta

     

    VI. O êxito de João Calvino

    A reforma protestante alcançaria a França?

    Um humanismo evangélico: Leftvre d’Étaples e o Grupo de Meaux

    A primeira reforma francesa

    A era dos equívocos

    Calvino aos vinte e cinco anos

    Basiléia e a “Instituição cristã” em latim

    Na Genebra dos “huguenotes”

    Estrasburgo, Bucer e a “Instituição cristã” em francês

    O autor da “Instituição cristã”

    Calvinismo

    “Os maravilhosos combates”

    A fogueira de Miguel Servet

    O triunfo do “Procurador de Deus”

    Calvino e a França

    Morte e glória de João Calvino

     

    VII. Da revolta religiosa à política protestante

    Mística e política

    A vaga luterana avança para o leste e para o norte

    A vaga quebra-se no oeste e no sul

    A Inglaterra às vésperas da Reforma

    O divórcio de Henrique VIII e o cisma anglicano

    A resistência: martírio de São John Fisher e de São Thomas More

    A Igreja da Inglaterra nas mãos do rei

    Uma exceção feliz: o anabatismo pacífico

    A vaga calvinista reveza a luterana

    O drama na França

    A Inglaterra de Eduardo VI passa para o calvinismo

    A vaga calvinista ao assalto

    No Oriente, as igrejas gregas e russas recusam totalmente o protestantismo

    Os anos conturbados: malogro de Carlos V na Alemanha

    Os anos conturbados: o protestantismo ftancês torna-se um partido político

    Os anos conturbados: na Inglaterra, Maria Tudor faz odiar o catolicismo

    Na véspera da atroz carnificina

    A velha barca de Pedro já tinha atravessado muitas tormentas no decorrer do quase milênio e meio que durava a sua história, mas aquela que se avizinhava em meados do século XIV fazia pressentir que seria a pior. Os duzentos anos que vão de 1350 a 1550, sobre os quais está centrado este volume da História da Igreja de Cristo, assistiram à agonia do ideal que inspirara a Idade Média, o sonho da Cristandade, imerso agora numa tríplice crise: de autoridade, de unidade e das consciências. Não era apenas mais uma época de dificuldades: era o fim de um mundo, ainda que não o fim do mundo, e ameaçava arrastar consigo a Igreja no seu naufrágio.

    Num primeiro momento, com o retorno de Gregório XI a Roma, graças aos esforços de Santa Catarina de Sena, podia-se alimentar a esperança de que o término do “exílio” do papado em Avinhão tivesse resolvido as questões mais graves. Mas já em 1378 o Grande Cisma do Ocidente dividiria as fidelidades dos cristãos entre papas e antipapas, até que, depois de quase trinta anos, o Concílio de Constança viesse a pôr fim à angústia das almas. Pouco depois, em Basiléia, seria o próprio concílio que se voltaria contra o Papa, procurando submeter o Vigário de Cristo à assembléia conciliar e diluindo a estrutura da Igreja numa pseudodemocracia autodissolvente.

    A crise dos espíritos não se manifestava apenas na cabeça. A França debatia-se ainda na Guerra dos Cem Anos quando Santa Joana d’Arc polarizou pela primeira vez as aspirações de toda uma nação. Na Inglaterra e na Boêmia eclodiam entre o povo os movimentos revoltosos de Wiclef e Huss, de inspiração tanto nacionalista como religiosa. Ao mesmo tempo, a vaga turca crescia, submergindo os restos do Império Bizantino e ameaçando afogar a Cristandade inteira.

    Enquanto o papado ainda firmava os pés, e no seio das turbulências políticas, borbulhando numa confusão criadora que se estendia da arquitetura às letras, das artes à astronomia, nascia o humanismo: cristão nos seus maiores representantes, como Thomas More e Erasmo de Rotterdam, mas também dotado de um inquietante caráter anticlerical e paganizante. A certa altura, com as controversas figuras dos papas da Renascença, e apesar do furor cego de um Savonarola, pôde-se chegar a pensar que a Igreja estivesse descristianizada no seu coração.

    Mas o pior ainda estava por vir: dos tremendos dramas de consciência do jovem monge Martinho Lutero nasceria em 1520 o dilaceramento protestante. Confuso e hesitante no início, o movimento em breve receberia a sua estrutura teológica e a sua disciplina da férrea e glacial soberba de Calvino. Mas, dividido em mil seitas e facções, erguendo-se em sangue e fogo no anabatismo alemão e holandês, esmagado aqui e alentado ali pelas intrigas dos estados nascentes, a “reforma” logo confirmaria a verdade da frase de Péguy: “Tudo começa em mística e acaba em política”. É o cisma anglicano de Henrique VIII, a estratégia hesitante de Carlos V, as sangrentas perseguições de Eduardo VI e Maria Tudor, a ambivalente tolerância de Francisco I...

    Serão tudo sombras nesse quadro? É preciso dizer que não. Se a Europa central e do norte ameaçam ruir sob os golpes combinados de turcos e protestantes, no outro extremo, sob Fernando de Aragão e Isabel de Castela, a Espanha ultima a Reconquista e, na esteira de Portugal, lança as bases da conquista e da construção de um Novo Mundo. Também não falta, nessa cristandade descarrilada e exaltada, um renascimento da piedade que propicia a descoberta da dimensão íntima da pessoa e da devoção afetuosa à Santíssima Humanidade de Cristo: a devotio moderna. E se alguns papas não souberam situar-se pessoalmente à altura das exigências do seu cargo, devemos reconhecer que nunca conspurcaram a pureza da fé e que, em muitos aspectos, desempenharam um papel histórico no qual não se pode deixar de entrever o dedo da Providência.

    Por outro lado, enfrentando tragicamente a Igreja, foi o protestantismo quem a obrigou a sair do mar de lama, de facilidades e de conivências em que se atolava. Sem ele, sem o medo que suscitou, teria a Igreja empreendido a reforma autêntica, levada a cabo na fidelidade e na disciplina, cuja necessidade tantos espíritos reconheciam mas tão poucos homens de caráter ousavam realizar? Dialeticamente, foi de Wittenberg, Augsburgo e Genebra que saiu a Igreja do Concílio de Trento, confirmando com uma força até então insuspeitada as palavras de São Paulo: É preciso que haja hereges (1 Cor 11, 19). Tal é o paradoxo de uma instituição composta por homens, mas guiada pelo Espírito Santo.
    SKU119
    AutorDaniel-Rops
    Edição
    Páginas544
    ISBN9788574650067
    Formato16 x 23
    EditoraQuadrante

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