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Livro HI-06 - A Igreja dos tempos clássicos (I)
Livro HI-06 - A Igreja dos tempos clássicos (I) História 276

Livro HI-06 - A Igreja dos tempos clássicos (I)

Daniel Rops Quadrante Editora
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Descrição

O “grande século das almas” não é um século risonho. Abre-se com a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e encerra-se com as guerras da Liga de Augsburgo. Assiste à predominância crescente dos interesses políticos e econômicos sobre os religiosos e ao recrudescimento da lamentável oposição entre protestantes e católicos e das perseguições num e noutro campo. E esses flagelos trazem consigo, como sempre, o seu cortejo de fomes e misérias.

Mas é nesse panorama, sob tantos aspectos desolador, que assistimos a um reflorescimento da santidade e à árdua implantação da Reforma tridentina.

Em primeiro lugar, é São Vicente de Paulo, esse “campônio” que se tornou confessor da rainha e preceptor de uma das principais famílias da França, para fazer-se pároco rural, fundador não de uma, mas de três instituições universais, e figura central do reino das flores-de-lis. Não há nenhum setor da sociedade, nem mesmo o dos condenados às galés, que tenha permanecido à margem da sua atuação e da dos seus filhos.

Mas são também muitas outras almas santas: Luísa de Marillac, co-fundadora com Vicente de Paulo das Damas e das Irmãs da Caridade; João Eudes, que encontrará a fórmula para os seminários dedicados à formação do clero; Francisco Régis, heróico evangelizador do povo simples; Luís Maria Grignion de Montfort, cantor das glórias de Maria Medianeira; Margarida Maria de Alacoque, que difunde a devoção ao Sagrado Coração de Jesus; João Batista de la Salle, que revoluciona o ensino... E não se podem esquecer grandes figuras como Jean-Jacques Olier, fundador dos sulpicianos; o cardeal Richelieu, controvertido, mas afinal um cristão; os grandes pregadores Bossuet, Fénelon ou Vieira; Blaise Pascal, genial matemático e autor dos Pensamentos; e tantos outros...

Faz-se neste tempo um trabalho de fundo como raramente se pôde ver. Um frêmito de preocupação pelos pobres, doentes e todos os desfavorecidos percorre a sociedade. Criam-se as Missões, para evangelizar as regiões rurais, e os Seminários, que por trezentos anos serão a chave para formar um clero piedoso e digno. Funda-se a Companhia do Santíssimo Sacramento, pioneira do apostolado dos leigos, mas adiantada demais para a época. Implanta-se a espiritualidade do Humanismo Devoto, que remonta a São Francisco de Sales, e a da Escola Francesa, cujo principal propagador é Pierre de Bérulle, que ensinarão o cristão comum a viver na presença de Deus da manhã à noite.

Mas este é também o tempo do absolutismo crescente, por assim dizer “encarnado” no “Rei-Sol” Luís XIV. “Lugar-tenente de Deus” na sua própria acepção e na dos seus contemporâneos, esse “Rei Cristianíssimo” não deixa de ser um homem, e sucumbe inúmeras vezes sob o peso do orgulho e do cinismo político. Imbuído da sua missão, mas de horizontes estreitos, revoga o Edito de Nantes e persegue os protestantes com uma brutalidade desaprovada pelos próprios bispos franceses, e que acabará por preparar o clima para a Revolução Francesa; corta as comunicações da Igreja de França com a Igreja universal, propiciando o surgimento e a expansão do galicanismo; provoca querelas com os Papas, que procura humilhar e submeter à sua vontade...

Não faltam também as heresias que ameaçam a unidade do Corpo de Cristo e semeiam a inquietude entre os cristãos. É o jansenismo, nascido como uma “conspiração” com algo de pueril, mas que ganhou corpo e contaminou muitos espíritos, deixando atrás de si um travo amargo a marcar a espiritualidade francesa. E o quietismo, aparentemente pouco mais que um alvoroço passageiro em torno da “semi-mística” Mme. Guyon e do bispo Fénelon, mas que talvez tenha deixado a sua marca em Jean-Jacques Rousseau, influenciando assim todo o “pensamento moderno” por nascer.

Sombras e luzes, como em todos os tempos. Mais inquietantes, talvez, porque mais próximas do nosso. Abrindo-se sobre uma plêiade de santos, o século XVII fecha-se na glória aparente de um Luís XIV, que no entanto esconde uma crescente pobreza interior. Preparam-se o iluminismo e o grande ataque da inteligência contra a Igreja, que marcará, em certa medida, toda a Era Moderna.
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    O “grande século das almas” não é um século risonho. Abre-se com a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e encerra-se com as guerras da Liga de Augsburgo. Assiste à predominância crescente dos interesses políticos e econômicos sobre os religiosos e ao recrudescimento da lamentável oposição entre protestantes e católicos e das perseguições num e noutro campo. E esses flagelos trazem consigo, como sempre, o seu cortejo de fomes e misérias.

    Mas é nesse panorama, sob tantos aspectos desolador, que assistimos a um reflorescimento da santidade e à árdua implantação da Reforma tridentina.

    Em primeiro lugar, é São Vicente de Paulo, esse “campônio” que se tornou confessor da rainha e preceptor de uma das principais famílias da França, para fazer-se pároco rural, fundador não de uma, mas de três instituições universais, e figura central do reino das flores-de-lis. Não há nenhum setor da sociedade, nem mesmo o dos condenados às galés, que tenha permanecido à margem da sua atuação e da dos seus filhos.

    Mas são também muitas outras almas santas: Luísa de Marillac, co-fundadora com Vicente de Paulo das Damas e das Irmãs da Caridade; João Eudes, que encontrará a fórmula para os seminários dedicados à formação do clero; Francisco Régis, heróico evangelizador do povo simples; Luís Maria Grignion de Montfort, cantor das glórias de Maria Medianeira; Margarida Maria de Alacoque, que difunde a devoção ao Sagrado Coração de Jesus; João Batista de la Salle, que revoluciona o ensino... E não se podem esquecer grandes figuras como Jean-Jacques Olier, fundador dos sulpicianos; o cardeal Richelieu, controvertido, mas afinal um cristão; os grandes pregadores Bossuet, Fénelon ou Vieira; Blaise Pascal, genial matemático e autor dos Pensamentos; e tantos outros...

    Faz-se neste tempo um trabalho de fundo como raramente se pôde ver. Um frêmito de preocupação pelos pobres, doentes e todos os desfavorecidos percorre a sociedade. Criam-se as Missões, para evangelizar as regiões rurais, e os Seminários, que por trezentos anos serão a chave para formar um clero piedoso e digno. Funda-se a Companhia do Santíssimo Sacramento, pioneira do apostolado dos leigos, mas adiantada demais para a época. Implanta-se a espiritualidade do Humanismo Devoto, que remonta a São Francisco de Sales, e a da Escola Francesa, cujo principal propagador é Pierre de Bérulle, que ensinarão o cristão comum a viver na presença de Deus da manhã à noite.

    Mas este é também o tempo do absolutismo crescente, por assim dizer “encarnado” no “Rei-Sol” Luís XIV. “Lugar-tenente de Deus” na sua própria acepção e na dos seus contemporâneos, esse “Rei Cristianíssimo” não deixa de ser um homem, e sucumbe inúmeras vezes sob o peso do orgulho e do cinismo político. Imbuído da sua missão, mas de horizontes estreitos, revoga o Edito de Nantes e persegue os protestantes com uma brutalidade desaprovada pelos próprios bispos franceses, e que acabará por preparar o clima para a Revolução Francesa; corta as comunicações da Igreja de França com a Igreja universal, propiciando o surgimento e a expansão do galicanismo; provoca querelas com os Papas, que procura humilhar e submeter à sua vontade...

    Não faltam também as heresias que ameaçam a unidade do Corpo de Cristo e semeiam a inquietude entre os cristãos. É o jansenismo, nascido como uma “conspiração” com algo de pueril, mas que ganhou corpo e contaminou muitos espíritos, deixando atrás de si um travo amargo a marcar a espiritualidade francesa. E o quietismo, aparentemente pouco mais que um alvoroço passageiro em torno da “semi-mística” Mme. Guyon e do bispo Fénelon, mas que talvez tenha deixado a sua marca em Jean-Jacques Rousseau, influenciando assim todo o “pensamento moderno” por nascer.

    Sombras e luzes, como em todos os tempos. Mais inquietantes, talvez, porque mais próximas do nosso. Abrindo-se sobre uma plêiade de santos, o século XVII fecha-se na glória aparente de um Luís XIV, que no entanto esconde uma crescente pobreza interior. Preparam-se o iluminismo e o grande ataque da inteligência contra a Igreja, que marcará, em certa medida, toda a Era Moderna.

    Ficha técnica

    SKU276
    AutorDaniel Rops
    Edição1
    Páginas480
    ISBN9788574650302
    Formato16,0 cm x 23,0 cm
    EditoraQuadrante Editora

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